Pain of Salvation: Road Salt Two
Um novo disco do Pain of Salvation é sempre uma surpresa. E mesmo "Road Salt Two" sendo a parte dois, como indica seu título, o fã não deve esperar simplesmente uma continuidade do álbum anterior da banda. Os suecos, comandados pelo criativo, perfeccionista e certamente um tanto autoritário Daniel Gildenlöw, sempre gostam de mudar alguma coisa. Mas a banda não perde a identidade nunca - pelo menos até agora.
Vira daqui, mexe dali e basta iniciar a audição para identificar o velho e bom Pain of Salvation em cada uma das 12 faixas do novo disco.
"Road Salt Two" começa com uma introdução cheia de violinos que dura menos de um minuto e que serve de tema para o álbum. Na seqüência descobrimos que as canções estão mais arrastadas, os riffs mais sujos e o clima geral pende mais para a decepção do que para o desespero que se sentia no disco anterior. As referências à década de 1970, presentes em "Road Salt One", continuam. E se misturam: Os riffs iniciais de "Eleven" têm um quê de Black Sabbath, mas ao longo da música um suingue funkeado toma conta do instrumental.
A adição de violinos, violas e bandolins ("The Physics of Gridlock", "Healing Now") e oboé ("To the Shoreline") dão um ar diferente a algumas faixas, enriquecendo suas passagens.
O conceito estético que Daniel Gildenlöw traz à música do PoS é novamente voltado para questões pessoais e introspectivas. Parece que Gildenlöw - responsável por todas as letras e composições - está analisando personalidades de pessoas conhecidas ou de personagens que cria.
"Softly She Cries" é um exemplo disso. A canção fala da depressão de uma mulher que chora sem saber exatamente por quê. O clima denso, os riffs pesados e o teclado sombrio intensificam a história contada pela letra. Além da canção citada, a longa "The Physics Of Gridlock" é outro destaque do disco, que traz de volta o lado progressivo da banda.
Parte da letra da canção está em francês - outra 'habilidade' que Daniel Gildenlöw resolveu revelar. Talvez isso soe pejorativo, mas é apenas uma constatação: O Pain of Salvation é cada vez mais a banda de um homem só. Para o bem e para o mal. De modo geral, "Road Salt Two", assim como seu antecessor, revela que Daniel Gildenlöw abriu mão da complexidade e das viagens sonoras - especialmente se pensarmos em "Be", disco de 2004.
Mas, dependendo do humor do músico, o próximo disco pode ser completamente diferente. Para aqueles que se encantaram com as experimentações da banda no passado, "Road Salt Two" poderá soar comum demais, ou sem novidades. Para quem prefere a fase mais crua da banda, este é um disco estranho. Ainda assim, "Road Salt Two" é um bom disco, isso é inegável.
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